De acordo com analistas e fornecedores, os drivers estão entre os principais problemas encontrados no desenvolvimento dos sistemas.
A Citrix Systems e a VMware, dois dos principais fornecedores de software para o mercado de virtualização, estão enfrentando problemas para desenvolver os tão esperados hypervisors para desktops que não precisam de um sistema operacional de fundo para rodar, ou seja, rodam diretamente na máquina.
De acordo com a consultoria Gartner, um desafio técnico torna a vida dos fornecedores de software mais difícil: o desenvolvimento dos drivers necessários é uma tarefa bastante complexa. O desafio comercial, no entanto, pode ser maior ainda: convencer os fornecedores de PCs a garantir compatibilidade e entregar máquinas já com os hypervisors.
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Quem subestimou essas dificuldades no passado cometeu um grande erro. Tanto que Citrix e VMware estavam para lançar seus respectivos produtos ainda em 2009. A VMware, agora, estima que no final de 2010 possa haver um lançamento. A Citrix nem quer se comprometer com datas. De acordo com o diretor de marketing de produtos da Citrix para Europa, Africa e Oriente Médio, Dave Austin, tudo vai depender dos resultados de um estudo em andamento com uma versão beta.
Como é a tecnologia?
O hypervisor que roda direto no hardware, também conhecido como hypervisor tipo 1, permite que um ou mais sistemas operacionais rodem no desktop como máquinas virtuais. A vantagem em relação ao método atual, no qual o hypervisor roda sobre um sistema operacional, é o ganho de performance, além da possibilidade que os usuários teriam de trabalhar offline.
A tecnologia vai permitir também que empresas criem uma imagem padrão de um sistema operacional para distribuir em todos os desktops, para manter atualizadas e gerenciar centralmente. Para que isso funcione, o PC precisa ser compatível com a tecnologia de virtualização vPro, da Intel.
Segundo um dos diretores de pesquisas da Gartner, Mark Margevicius, o desafio dos drivers é grande por conta da grande lista de componentes de um PC do desktop. O diretor de marketing de produto da VMware, Fredrik Sjöstedt, afirma que essa dificuldade é muito maior do que no mundo dos servidores, que possuem uma lista de compatibilidade muito menor e melhor definida.
Do lado do fabricante de PCs, o interesse em garantir a compatibilidade pode ser bem pequeno. Isso porque o hypervisor do tipo 1 torna mais fácil a troca de hardware por parte do comprador, uma vez que as imagens dos sistemas operacionais, que é o que realmente importa em termos de conteúdo, está totalmente independente do hardware.
Para Sjöstedt, os fornecedores precisam entender que, apesar de ter a vida facilitada para trocar de fornecedor, isso não significa que as companhias vão querer trocá-lo o tempo todo. Pode ser uma simples questão de facilitar o upgrade das máquinas, como uma troca de processador, de forma muito mais fácil do que é feito hoje.
A reação dos fabricantes de PCs, no entanto, ainda é obscura. Os porta-vozes tanto da Citrix quanto da VMware afirma estarem em diálogo com as companhias da área, mas ainda não possuem nada que possa ser revelado publicamente.
Para o CIO, esse tipo de hypervisor traz a possibilidade de deixar que usuários levem seus próprios PCs para o trabalho, o que daria a possibilidade de rodar o sistema operacional pessoal e o profissional lado a lado, mas totalmente independentes. No caso de uma demissão, basta "matar" o sistema operacional profissional se necessário, algo que não pode ser feito com outras plataformas.
A VMware está ciente dessa tendência, mas aposta em outro produto para PCs pertencenets a usuários, uma solução de desktop virtual chamada View Manager Local Mode. De acordo com o chefe de tecnologia da unidade de desktops empresariais da VMware, Scott Davis, o hypervisor do tipo 1 não são tão apropriados para o desktop do usuário, já que a empresa teria de limpá-lo antes de fazer a instalação. O produto paralelo da VMware resolveria esse problema.