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De muitas maneiras, o MySQL incorpora os ideais do movimento populista conhecido como software de fonte aberta, no qual o criador de um programa o libera gratuitamente para o mundo e legiões de voluntários criam melhorias também compartilhadas livremente. » Siga o Terra no Twitter A empresa iniciante surgiu do nada, e criou um aplicativo para banco de dados que se tornou muito querido entre as jovens e enérgicas empresas de internet. Conectados de suas casas espalhadas por todo o mundo, os funcionários da companhia pareciam ser mais uma comuna virtual do que um gigante empresarial, e se divertiam ao combater o predomínio de gigantes do software fechado como a Microsoft. Mas como no caso da maioria das empresas de software de fonte aberta, as vendas da MySQL, vinculadas a contratos de assistência técnica, jamais se equipararam ao número astronômico de downloads de seu produto, que atinge os 60 mil por dia. Em janeiro de 2008, os proprietários decidiram vendê-la à Sun Microsystems, por US$ 1 bilhão, e este ano a Sun foi adquirida pela Oracle, produtora de software de banco de dados para empresas e tarefas maiores, por US$ 7,4 bilhões. Agora, o desacordo quanto ao valor da MySQL -tanto como entidade separada quanto como divisão de uma organização mais ampla- ocupa posição central em uma amarga batalha pública entre a Oracle e a União Europeia quanto à aquisição da Sun. A disputa ilumina uma verdade mais ampla sobre as companhias de software de fonte aberta: sua importância estratégica para a sociedade supera em muito seu valor financeiro como companhias operacionais. As autoridades regulatórias europeias consideram a MySQL como uma espécie de "banco de dados do povo", uma alternativa de baixo custo aos dispendiosos produtos fechados da Oracle. E se preocupam com a possibilidade de que a Oracle suspenda o desenvolvimento do software em favor de proteger seus produtos tradicionais, o que custaria aos usuários uma opção importante no mercado de software para bancos de dados. "No contexto econômico atual, todas as empresas estão em busca de soluções de informática com bom custo/benefício, e os sistemas baseados em software de fonte aberta emergem cada vez mais como alternativas viáveis às soluções fechadas", afirmou Neelie Kroes, comissária da competição da União Europeia, em comunicado recente. "A Comissão Europeia precisa garantir que essas alternativas continuem disponíveis". A Oracle, enquanto isso, insiste em que continuará a desenvolver a MySQL e outras tecnologias da Sun. Larry Ellison, o presidente-executivo do grupo, alega que a MySQL atende a uma parte diferente do mercado de bancos de dados, se comparado aos produtos básicos da Oracle -uma avaliação que muitos analistas confirmam. Um dos maiores incentivos para que a Oracle continue a desenvolver o software da MySQL é o fato de que seus programas servem como obstáculo ao SQL Server, o software para bancos de dados da Microsoft, que compete com a Oracle pelos clientes de menor porte. "A declaração de objeções da Comissão revela profunda incompreensão tanto da concorrência no mercado de bancos de dados quanto da dinâmica do software de fonte aberta", afirmou a Oracle em comunicado. Em defesa do ponto proposto por Kroes, existe uma alternativa de fonte aberta, e em geral de excelente qualidade, para quase todos os grandes produtos comerciais de software. Na última década, essas alternativas de fonte aberta geraram intensa pressão de preço sobre os programas rivais fechados. Governos e empresas receberam positivamente essa concorrência. Mas determinar se as produtoras de software de fonte aberta são viáveis como empresas, em longo prazo, é uma tarefa muito mais complexa. A mais conhecida empresa do setor é a Red Hat, que produz uma variante do sistema operacional Linux destinada a servidores. Como a maioria das congêneres, ela oferece uma versão gratuita de seu produto básico e depende da venda de serviços de assistência e de recursos adicionais, como fonte de renda. No seu mais recente ano fiscal, encerrado em março, a receita da companhia subiu em 25%, para US$ 653 milhões, e seu lucro líquido reportado foi de US$ 79 milhões. Mas a Red Hat é um caso raro. "Só existe uma empresa ganhando dinheiro de verdade no mercado de fonte aberta, e é a Red Hat", disse Simon Crosby, vice-presidente de tecnologia da Citrix Systems, que adquiriu a XenSource, uma produtora de software de fonte aberta, por US$ 500 milhões, em 2007. "Todo mundo mais está com problemas". Os atrativos duradouros do software de fonte aberta giram mais em torno do incômodo que causam no mercado do que das vendas elevadas. Desde que existe o software, sempre houve quem o desenvolvesse e distribuísse gratuitamente, pelo bem comum. A ascensão da internet tornou mais fácil a tarefa de compartilhar esses avanços, e permitiu que pessoas de todo o mundo colaborassem em projetos sem que precisassem se submeter a uma estrutura empresarial. O software de fonte aberta prosperou e teve papel importante no desenvolvimento da infraestrutura da internet. Muitas empresas usam computadores acionados pelo Linux e servidores acionados por software Apache, para exibir páginas de web. Da mesma forma, o navegador Mozilla Firefox se tornou o principal concorrente do Internet Explorer, da Microsoft. O trabalho colaborativo no software de fonte aberta levou seus proponentes a considerá-lo como uma maneira de resistir ao software fechado, cujo código-fonte a companhia proprietária mantém secreto. Mas nos últimos 10 anos, o software de fonte aberta deixou de ser uma revolução popular e ganhou aspecto mais empresarial. Em alguns casos, as grandes empresas de tecnologia o empregam em suas manobras. O Google, por exemplo, alfinetou a Microsoft ao oferecer assistência financeira à Mozilla Foundation, uma organização sem fins lucrativos que cuida do desenvolvimento do Firefox. E a IBM foi uma das principais aliadas do Linux, e ajudou em sua ascensão como concorrente do Microsoft Windows e outros sistemas fechados. http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI4135193-EI4803,00-Negocios+com+softwares+open+source+ainda+buscam+lucros.html
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